Pai e mãe: funções diferentes, amores complementares
No universo da parentalidade, muito se discute sobre igualdade de responsabilidades e direitos. No entanto, pouco se fala sobre algo ainda mais profundo: a diferença natural das funções afetivas e simbólicas que pai e mãe exercem na vida de uma criança.
Não se trata de reforçar estereótipos de gênero, mas sim de reconhecer — com base em estudos do desenvolvimento humano — que mãe e pai têm papéis distintos e igualmente essenciais para o crescimento saudável de um filho.
👩🍼 A mãe: primeira figura de vínculo emocional
Desde a gestação, o bebê sente o mundo através da mãe: sua voz, suas emoções, seus batimentos cardíacos. Esse laço inicial é fundamental para a formação da segurança emocional.
Donald Winnicott, pediatra e psicanalista britânico, afirmava que o cuidado materno inicial — suficientemente bom — oferece à criança a sensação de que o mundo é um lugar seguro para existir e se desenvolver (Winnicott, 1965).
A mãe representa um porto seguro emocional, o lugar onde a criança se sente acolhida, compreendida e aceita incondicionalmente. No colo da mãe, as emoções encontram espaço para serem nomeadas e reguladas. É nesse vínculo que se estabelecem as bases da empatia, da autoestima e da capacidade de confiar nos outros.
👨👦 O pai: convite para o mundo
O pai, por sua vez, é quem geralmente convida o filho a olhar para fora do ninho. Ele representa o impulso para o mundo, incentivando a autonomia, a exploração e a aventura.
No campo simbólico, o pai mostra à criança que há vida além da simbiose com a mãe. Jacques Lacan, psicanalista francês, apontava para o papel do “pai simbólico”, aquele que rompe a fusão mãe-bebê e introduz a criança no mundo da linguagem, das regras e das relações sociais (Lacan, 1957-58).
O pai ensina, de forma firme e amorosa, a lidar com limites, frustrações e com a realidade externa. Ele prepara para o mundo da diferença, das escolhas e das consequências. Muitas vezes, é com o pai que a criança vivencia o risco controlado, o desafio, a competição saudável e a construção da identidade fora do núcleo materno.
💡 Pai e mãe: funções que vão além do gênero
É essencial destacar que essas funções não são exclusivas de gênero. Elas podem ser exercidas por qualquer cuidador — sejam dois pais, duas mães, avós ou outros arranjos familiares.
O que importa não é o gênero, mas a qualidade da presença e a disposição para exercer essas funções afetivas: o cuidado, o acolhimento, o limite e o estímulo.
📚 Referências
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Winnicott, D. W. (1965). The Maturational Processes and the Facilitating Environment. Hogarth Press.
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Bowlby, J. (1988). A Secure Base: Parent-Child Attachment and Healthy Human Development. Basic Books.
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Lacan, J. (1957-58). O Seminário, Livro 5: As Formações do Inconsciente.
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Stern, D. (1995). The Motherhood Constellation. Basic Books.
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Siegel, D. & Bryson, T. (2011). The Whole-Brain Child. Delacorte Press.
✨ Em resumo: pai e mãe não são melhores ou piores entre si. Eles são diferentes por natureza — e essa diferença é um presente para o desenvolvimento integral da criança. Um oferece as raízes, o outro as asas, e ambos se complementam na missão de formar um ser humano completo.
Lia Rocha. Acompanhe meu Instagram.



